Vem, a Poesia, eu vos conto, rastejando por entre o lixo, como um gato à procura de qualquer coisa...
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Isto pode parecer um concurso e é, de facto, com o que mais se parece

Olá amigos, é o professor Saraiva quem vos fala! E, à primeira vista, isto pode parecer um concurso e é, de facto, com o que mais se parece, pelo menos, à primeira vista, no entanto, seria mais correcto compará-lo com outra coisa qualquer. Como de momento não me lembro o quê, chamemos-lhe um ponto de encontro de almas sensíveis e mentes abertas ao apelo da grande Arte Poética.

Ora, num contexto destes, pensar-se em prémios e gratificações é de uma mesquinhez inqualificável, de merdosa. Haveria de servir-vos de consolação e júbilo o serdes publicados neste espaço de tão requintado gosto e exigente gabarito, mas, já andamos nisto há muito tempo e sabemos do que a casa gasta, por isso é bem provável que vos ofereçamos uma qualquer lembrança, ou singelo regalo, como prémio e distinção...

Até lá, que deus vos cubra!

esta semana é assim: em vez do MOTE, um MOTIM!

... E eis a imagem inspiradora para o mote em apócrifo. É p'ra que vedais! Com alumínio Rochedo, vai lá vai, Alfredo, que não há fascista que me meta medo. A inspiradora ilustração serve ainda, na concomitância, para anunciar o prémio que será atribuído ao bardeileito, perdão, ao bardo eleito desta empreitada.

Até lá, salame e banha de porco...
perdão!
saúde e prosperidade
a revolução é uma maluca!

10 comentários:

  1. Alfredo, marceneiro, R. da Voz do Operáriosexta-feira, 24 abril, 2009

    Companheiro professor,
    Eis a minha modesta contribuição para a tua, minha, nossa causa de todos nós.

    Sem mais,
    Estamos juntos,
    Toma lá um abraço

    Alfredo, marceneiro, R. da Voz do Operário

    Salazar, um tal azar
    Como esse nunca se viu
    Se ele fosse, mas era
    P’rá senhora que o pariu
    É que tinha feito bem,
    Tinha ganho toda a gente,
    Menos, claro, a sua mãe,
    Mas quem o fez que o aguente...
    Palavras talvez cruéis,
    Mas bem sábias e já velhas,
    Que fosse ele chatear
    Quem lhe fizera as orelhas!
    Pobre senhora, é a vida,
    Quem tem filhos tem cadilhos.
    Tirando a madre do Franco,
    Que essa teve foi caudilhos,
    Já a mãe ao Mussolini,
    Coitadinha da senhora,
    Dizem que era uma devota
    Católica e professora
    E deu-lhe deus uma besta
    Dum filho assim, que só visto,
    É caso de se dizer:
    Cria-se um filho p’ra isto...
    Mas enfim, deixemos isso
    Que não vem à colação
    Do mote que aqui nos trouxe
    (Eu vim de mote… Tu não?),
    Que o tema desta semana,
    Por acaso inspirador,
    Não sei que te dita a ti
    Mas cá a mim dita dor...
    Figas, cruzes, t’arrenego,
    Baza, malaico, um, dois, três!
    Salazar: um tal azar
    Não q’remos cá outra vez!

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  2. Meu nome é Henrique Oitavo, sou o sétimo filho de uma família pequena e humilde. O meu pai sempre me ensinou que a maior riqueza que um homem pode ter na vida é a saúde. Coitado, morreu tuberculoso. Nem chegou aos 40! Mas também não sei porque vos estou a contar isto! Talvez seja o mote que propõe desta vez… Não consigo invocar a palavra Salazar, sem que me venha à cabeça a imagem de uma rural e tísica nostalgia filosófica. Deve ser da água.
    Vamos então ao que viemos
    Salazar, um tal azar – poesia de Henrique Oitavo, filho de Ricardo das Tripas Coração Segundo e Maria Pia de Despejos Domésticos, actualmente desempregado


    Andava um dia no monte,
    Com umas cabras a pastar,
    Um rapazito franzino.
    Um lingrinhas singular,
    Com nariz de maçarico
    Desengonçado no andar
    Umas orelhas de abano,
    Que nos faziam lembrar
    Aquelas pegas, que tem
    Dos lados um alguidar.
    Menino de sua mãe,
    O menino Salazar.

    Ele e as cabras faziam
    Um retrato inesquecível,
    Recortados na paisagem
    Da serrania terrível.
    As cabras, com aqueles cornos
    Pareciam uns diabretes,
    Saltando por entre as canas,
    Que caíam dos foguetes.
    Enquanto ele fazia
    Apitos com um canivete,
    Fazendo horas também
    P’ra voltar p’ra casa às sete.

    E o povo todo da aldeia
    Dizia que ele algum dia,
    Se desse corda aos sapatos,
    A algum sítio chegaria.
    Por isso, juntou-se o povo
    E rifaram-se uma quotas,
    Para juntar umas libras,
    Para lhe comprar umas botas.
    Umas botas de verniz,
    Um bocado apanascadas,
    Mas isto, a moda é assim,
    Tem destas coisas maradas.

    E lá foi o Salazar.
    Largou as cabras da mão,
    Meteu-se na escola a estudar.
    Chegou quase a sacristão,
    Mas não chegou a chegar,
    Que entretanto houve mudanças
    E mandaram-no chamar
    P’ra ministro das finanças.
    E ele que até nem queria,
    Não estava para aí virado,
    Acabou por gostar tanto,
    Que depois foi o diabo.

    Não ia a mal nem a bem.
    Tiveram que mandar chamar,
    Salazar um tal azar,
    Um padre para o exorcizar,
    O menino de sua mãe…



    Agradecido e boa saúde!

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  3. Camaradas, estou profundamente revoltado com esta ideia de escolher tão hedionda e sinistra figura como esse fascista de Santa Comba que o pariu para mote numa semana em que se celebra um tão radiante e esse sim patriótico evento histórico como foi é e há-de ser até à vitória final a descoberta da penicilina pelo sr. Fleming. Nós aqui em casa celebramos sempre a descoberta da penicilina em Abril. Em Setembro, geralmente estamos de férias e é mais difícil juntar a família. Espero conseguir fazer vingar esta ideia. Em Abril deve dar muito mais jeito a toda a gente. Nem percebo porque é que ainda ninguém fez nada, ou se lembrou disso antes …
    Mas, se querem mesmo saber o que eu tenho a dizer sobre o assunto Salazar, eu digo-vos. Lá vai.


    Salazar, um tal azar…
    Olha que falar de azar
    Sendo que o assunto és tu
    Salazar, sem ofender
    Acho que podes meter
    O trocadilho no cu

    É poucochinho, mas é de boa vontade. Poupai-o
    Saudações revolucionárias
    Hasta la vitoria siempre
    Liberdade ou Morte
    Cuscurões é fritos

    Libério Libertino Libertário, de Frases Feitas, Chapéu

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  4. RosaMaria Cardososábado, 25 abril, 2009

    Não me vou estender muito em conversa. Espero que a minha colaboração esteja dentro do espírito da coisa…
    Respeitos e apreciações!
    Um vosso amigo,
    Rosa Maria Cardoso, renitente anti-fascista, praceta 25 d’Abril, Margem Sul

    Salazar, um tal azar,
    Pior não podia ser,
    A menos que, se calhar
    E podia acontecer,
    A cadeira aguentar
    Ali firme e não ceder.

    Mas era já muito peso.
    Ele era já peso a mais,
    Mesmo sendo rijo e teso
    E dos melhores materiais,
    O assento não podia
    Durar para sempre, ora pois;
    Haveria de chegar o dia,
    Em que se partia em dois.

    E esse dia lá veio.
    Estava ele a comer pão.
    Ao partir a bucha ao meio,
    Caiu de costas no chão.
    E aí se anunciava,
    Nesse mesmíssimo instante,
    Outra queda bem mais brava,
    Uns anos mais adiante…

    E não vou aqui falar
    Nos que, desse trambolhão,
    De mansinho, devagar,
    Se levantaram do chão,
    Esperaram a ver se vinha
    Algum chaimite a passar,
    Aprenderam a ladainha
    E puseram-se a cantar…


    Salazar, um tal azar,
    Pior não podia ser…
    A não ser que, se calhar,
    Começasse a chover!




    Revolução e Febras! Abril Águas Mil!

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  5. Nélson, Caminhos de Ferrosegunda-feira, 27 abril, 2009

    Atão? Baris?

    Eu chamo-me Nélson, nasci do Alto Pina, mas fui criado quase sempre a bem dezêre nos Caminhos de Ferro, e fiz aqui um poema dedicado a esse granda fascista desse Salazar. Eh pá, prontos, eu sei que não sou nenhum granda poeta, ‘tá bem, mas p’r acaso este poema até ficou tótil!

    Tchau, pá.

    Poema:

    Houve em tempos um chaval,
    o gajo, vou-l’e dezêre
    diz que, coiso, Portugal,
    é p’à blusa, tás a vêre?
    Bem, o homem, ouve lá,
    s’embirrava p’algum lado,
    ai jasusa, ‘tá bem ‘tá,
    tu ‘tá-me mas é calado!
    Cenas qu’o gajo inventava,
    pá, qu’eram tão faralhadas,
    qu’um gajo até se passava...
    Merdas, sei lá, meu, maradas!...
    S’um gajo tinha o azare,
    de dizer que coiso e tale,
    que, "pá, tu tens qu’atinare,
    atão não vês que ‘tá male?",
    ó depois no outro dia,
    ‘tava um gajo sossegado,
    aparecia a chibaria,
    e um gajo era arrecadado.
    Tu punhas-te a espernear,
    que não fui, não sou, não sei,
    era eles a afiançar,
    e achantra-te, qu’é a lei.

    É uma história qu’os meu cotas
    gramam à brava contar.
    O nome dele era Botas,
    de alcunha era o Salazar.

    Um tal azar.

    Fim do poema. Este penduricalho aqui no fim é só porque senão voceses ainda diziam que eu, coiso, não tinha lá metido a cena toda e prontos, assim pelo menos, olha, já não há cá grupos...

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  6. Amigos e companheiros aqui deixo o meu perplexo contributo literário para este auspiciosos Momento de Poesia. Espero que vos agrade, ou, pelo menos, que não duvidem.

    ...
    Diz que tinha hábitos saudáveis
    E se deitava com as galinhas
    O que a História não nos conta
    É que o fazia mesmo à letra
    Era um porco um debochado
    Salazar um tal azar
    Era um porco um debochado

    Diz que tinha um par de botas
    Que lhe davam p’lo tornozelo
    Do que a História não nos fala
    É da meiazinha de renda
    Que lhe dava o ar de puta
    Salazar um tal azar
    Que lhe dava o ar de puta

    Diz que era muito severo
    E austero mesmo consigo
    O que a História não nos diz
    É quando já estava com os copos
    As figuras que fazia
    Salazar um tal azar
    As figuras que fazia

    Diz que deixou muito oiro
    Nos bancos os cofres cheios
    O que a História não refere
    É que o oiro era dos dentes
    Das dentaduras das velhas
    Salazar um tal azar
    Das dentaduras das velhas

    Para muitos foi um santo
    Para outros um demónio
    Um paradoxo da História
    Mas há gente que acumula
    Se calhar ele era desses
    Salazar um tal azar
    Se calhar ele… ah que mula!


    Saudações e até sempre!

    Carolino Feijão , de Paradoxo Evidente, Arroz Doce

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  7. José Silva, do Barreiroterça-feira, 28 abril, 2009

    Camaradas boa tarde, chamo-me José Manuel da Silva, não, não é esse, estão-me sempre a perguntar se eu é que sou o José Manuel da Silva e eu que não, o nome é que é igual. Mando aqui o meu poema do Salazar à espera que gostem. Obrigado e é tudo.

    Foram quase cinquenta anos
    A levar na cornadura
    Até que chegou Abril
    E acabou a ditadura
    Soldados e marinheiros
    E o povo com uns porretes
    Sem fazer grandes chiqueiros
    Correram com os tiranetes
    Foi um dia de trabalho
    E à hora do jantar
    Tinham ido com o caralho
    A ditadura e o medo
    Salazar um tal azar
    Não ter sabido mais cedo



    Barreiro, 25 de Abril 2009

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  8. Procópio Pio, o PiuPiu da Madragoaterça-feira, 28 abril, 2009

    Olá aí. Chamo-me Procópio Pio, mais conhecido pelo PiuPiu da Madragoa.
    Por acaso acho graça a esses proto-fascistas de merda que, agora que já têm liberdade para falar, ficam calados. Quer dizer, não me lembra de ter visto semana mais parada que esta. ‘Tá tudo com medo que o Botas os mande prender, mesmo já depois de morto?...
    Corja do camano! Bom, vá lá então! Aqui o PiuPiu da Madragoa manda este soneto.
    Ora, sai neto!

    Salazar um tal azar
    Mas qual azar quais caroço
    O que faz a roda andar
    É cada qual com o seu esforço

    Na vida cada um tem
    O azar que mai’ merece
    Não é do céu que ele vem
    Nem é do chão que ele cresce

    Ora portanto acredita
    O que importa é pores-t’a pau
    E se outro bicho marau

    Quiser que a História se repita
    Vai com a puta que o pariu
    Ou eu não me chame Piu Piu!


    Fiquem bem. Qualquer coisa, na Madragoa, estão à vontade. Perguntem p’lo PiuPiu.

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  9. António P.V. Gomesquarta-feira, 29 abril, 2009

    Adeus e boa sorte, aqui mando a minha contribuição, na certeza porém.
    Obrigado.

    ...

    Electroencefalogramas
    O meu novo penteado
    Disse ele gemendo na cama
    Com o crânio todo engessado

    Tomoaxiografia
    Que já não mo perguntava
    Ricocheteou Maria
    Que já de si coxeava

    Mas o que eu radioscopia
    Era alguém para me explicar
    O porquê dessa armação

    Digo-lhe eu dona Maria
    Salazar um tal azar
    Bateu c’os cornos no chão


    António Prazo de Validade e Gomes, Alverca, base aérea.

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  10. A. D. e Tal, Mó de Moinho, Abrunheiraquinta-feira, 30 abril, 2009

    Excelentíssimos senhores,

    Gostaria de contribuir com um poema modesto, se bem que de altíssima qualidade, para o vosso concurso, e gostaria também de ser o vencedor do dito, se pedir justiça não for pedir demasiado.

    Queiram aceitar, senhores, os protestos da minha mais elevada estima e consideração,

    Austero Duque e Tal, Mó de Moinho, Abrunheira

    Lá em Santa Comba Dão,
    ó combadão, combadão,
    na noite escura de breu,
    no cemitério local,
    um caso fenomenal,
    lá em Santa Comba Dão,
    à meia-noite se deu.

    Surgiu uma assombração,
    ó combadão, combadão,
    uma coisa de espantar,
    e tinha, p’lo que se diz,
    o inconfundível nariz,
    ó medonha assombração,
    d’Oliveira Salazar.

    Povo do meu coração,
    ó combadão, combadão,
    vinde, vinde-me ajudar,
    dizia a alma penada,
    e aquela gente, assombrada,
    povo do meu coração,
    não sabia o que pensar...

    Ó terror! Ó maldição!
    Ó combadão, combadão!
    Nem no inferno se está
    hoje em dia sossegado,
    diz o espectro, afogueado.
    Ó terror! Ó maldição!
    Eles não me querem lá!

    Mas que tremenda aflição,
    ó combadão, combadão,
    compadecei-vos de mim!
    Dizem que são capitães,
    os demónios, esses cães,
    mas que tremenda aflição,
    e vêm atrás de mim!

    E no meio da confusão,
    ó combadão, combadão,
    vem um grito do Além:
    Vade retro, Salazar!
    Não queremos cá tal azar,
    no meio da confusão,
    fica aí que aí estás bem!

    Em Comba Dão, desde então,
    ó combadão, combadão,
    de quando em quando se avista
    um avejão a assombrar,
    Salazar, um tal azar,
    lá em Santa Comba Dão,
    a longa noite… fascista.

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